Prefácio: What's up, doc???

Cada dia que passa, aprender a língua inglesa tornar-se importante. Seja por questões de trabalho, de estudos ou pela própria onda de globalização, a verdade é que a língua inglesa ganha importância como uma língua franca, o latim do tempos contemporâneos. E como o estudante de Letras/Inglês se enquandra dentro deste novo mundo??? Com a velocidade e o volume cada vez mais crescente de informações, a sala de aula em se já não basta apenas local de aquisição de informações. Acompanhar as tendências que ajudem na sua formação implica hoje usar outros espaços e momentos. Para isso que surge este blog, como outro local onde os alunos de Letras/Inglês da UNEB (Campus 01) possam dividir e debater opiniões acerca dos temas do nosso curso.
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setembro 21, 2008

Uso de blogs no ensino da língua Inglesa

USO DE BLOGS NO ENSINO DA LÍNGUA INGLESA
(slides do trabalho de Ricardo Vidal sobre blog, apresentado na disciplina "Tec. Aplicada ao Ensino")

Definição de Blog
•Etimologia: WEB+LOG. Web = teia (no caso, WWW, teia de alcance global) e LOG (diário de bordo, registro de vôo, registro de desempenho). Mais tarde, reduzido para BLOG, por conta da expressão “We Blog”.
•Um weblog (ou blog) é uma página da World Wide Web, cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos de tamanho variável (chamados "posts”).
•Os “posts” são organizados cronologicamente de forma inversa, costumam abordar a temática do blog, e podem ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog.
•Os sistemas de criação e edição de blogs são mais atrativos por causa das facilidades que oferecem (dispensa o conhecimento de HTML).

Diferenças Blog/HTML
website padrão.

1.Webdesigner concebe o conteúdo da página
2.Trabalha no editor de website
3.Transferência do(s) arquivo(s) para servidor de hospedagem via FTP (File Transfer Protocol)
4.Página a disposição na World Wide Web
OBS: Necessita conhecimentos básicos de HTML (HiperText Markup Language). Melhor se dominar também JAVA, animações em Flash, etc
blog.
1. Webdesigner concebe o conteúdo da página
2.Trabalha no blogware, telefone celular ou próprio portal do Blog
3.Transferência imediata na World Wide Web
OBS 01: Elimina a etapa do uso do programa de FTP.
OBS 02: Dispensa os conhecimentos básicos de HTML (Hiper Text Markup Language), JAVA, Flash, etc

Componentes de Blog
•BLOGUEIRO: Autor(es)/Proprietário(s) do blog.
•POST: Entrada de texto efetuado no blog e escrito pelo blogueiro.
•COMENTÁRIOS: Parte interativa do blog, onde os visitantes comentam, opinam, critiquem e mandam sugestões ao blog.
•PERMALINK:é um URL que aponta para uma postagem específica de um blog. O intuito dele é permitir que se chegue diretamente ao post desejado quando se faz referência a alguma postagem ou a um conteúdo específico, tornando imediato o acesso ao conteúdo referenciado.
•EXTRAS: demais acessórios (Applets Java, Animações em Flash, enquetes, etc) colocados a mais no blog.

Blog, segundo Ricardo Noblat
Entrevista de Ricardo Noblat à Playboy, (outubro/2005)
" Essa coisa é uma coisa fascinamente. O blog não é só o dono. É uma comunidade que se monta, se arma, se reúne e ajuda, os comentários que essas pessoas põem, as dicas que me enviam."

Evolução do Blog
•PRIMÓRDIOS 1983-1994. “Online Diary” e “Escribicionists”. Época das BBS, Usenet, Gopher Protocol e Finger Protocol (Pré-HTTP).
•1994. Primeiros blogs modernos. “Open-pages webring”, Justin Hall, Jerry Pournelle. Posts colocados manualmente via HTML.
•1997. Jorn Barger (criador do “Robot Wisdon” / www.robotwisdon.com ) cunha o termo “Weblog”. Aplicado inicialmente para tipo de página de links.
•1998. aparecimento do primeiro software para blog (blogware) “Open Diary” em outubro.
•SALTO QUALITATIVO 1999. 01) Peter Merholz transforma “Weblog” em “Blog” quando colocara expressão “We BLOG” no barra de título de sua página “http://peterme.com” (Abril/Maio). 02) Surge de outros blogwares: “LiveJournal” (Março) e “Blogger” (Agosto). 03) Aparecimento do termo “Blogosfera”, inicialmente como piada.
•2001. As faculdades de jornalismo (inclusive a UFBA, com Prof. Dr. André Lemos) começam as primeiras pesquisas sobre Blogs e Blogosfera. Surgimento dos primeiros blogs políticos e jornalísticos no mundo.
•2002. O termo “Blogosfera” ressurge, dentro do conceito moderno de comunidade.
•2005. Blog do Noblat ganha notoriedade pela cobertura da crise do Mensalão.
•2006. Primeira eleição do Brasil influenciada pelos weblogs. A blogosfera brasileira ajuda na reeleição de Lula, fazendo a guerrilha de contra-informação à “grande mídia”.

Blogosfera
Blogosfera é o termo coletivo que compreende todos os blogs como uma comunidade ou rede social. Muitos blogs estão densamente interconectados; blogueiros lêem os blogs uns dos outros, criam links para os mesmos, referem-se a eles na sua própria escrita, e postam comentários nos blogs uns dos outros. Por causa disso, os blogs interconectados criaram sua própria cultura.
Outros termos: "Blogtopia", "Bloguespaço", "Bloguiverso", "Blogsilvânia" e "Bloguistão".
Semelhança com as expressões “Logosfera” (mundo das palavras) e “Noosfera” (Mundo das Idéias)
O termo "blogosfera" pode ser qualificado. Pode-se falar da "blogosfera lusófona", da "blogosfera de esquerda“, “Bloggernacle”(Mórmon), “J-blogosfera” (judaica), “St. Blog’s Parich” (católica), “Edublogosfera” etc.
“Blógobulo” / “Bloguesia” – críticas à Blogosfera

Tipos de Blog
•DERIVADOS DO BLOG: “FLOG / FOTOLOG” – Blog de fotos, “AUDIOBLOG” – Blog de áudio , “VLOG / VIDEOLOG” – Blog de vídeos, “MOBLOG” Blog alimentado por telefone celular, BLOGCAST – Blog + Podcast, “BLIKI / BLOKI / WIKIBLOG” – Blog + Wiki.
•DIÁRIO ON-LINE / CYBERDIÁRIO / BLOG PESSOAL: “Bruna Surfisitinha”, “Sutiã 44”, “Pelas Tabelas”, “Carol Castro” e “Joana Balaguer” (dois últimos, no Bloglog)
•BLOG JORNALÍSTICO: “Blog do Noblat” & “Sexpedia – Flávia Colavitti”
•BLOG HUMORÍSTICO: “Kibeloco” & “Atrocidades / Nizo Neto”
•BLOG CORPORATIVO: (Sexpedia, inicialmente, como parte da revista Galileu)
•BLOG POLÍTICO: “Hemodiálise do Discurso” – Carlos Eduardo Oliveira
•BLOG LITERÁRIO: “Castelo do Bardo Celta” (www.bardocelta.blogspot.com) , “Silva Horrida – Guia de Cidade”, “Andréia del Fuego” & “Ângelo Paraíso Martins”
•BLOG EDUCATIVO OU EDUBLOG : “Unebian_Blog” & “English Teaching” – Profa. Isolda Lisboa.

Edublogs
EDUBLOG ou BLOG EDUCATIVO é todo tipo de blog cujo interesse é voltado à educação. Podem incluir nesta categoria: blogs escrito por ou para professores, blogs sobre política educacional ou blogs cujo propósito seja passar o conteúdo na sala de aula.

Blog na Sala de Aula
•CONSULTA DE TEXTOS AUTÊNTICOS: Da mesma forma que um professor usaria um site “normal” para que os alunos sejam expostos a língua inglesa, o professor usaria um blog.
•APOSTILA ELETRÔNICA: O professor edita sozinho o blog com os assuntos que serão dados nas aulas. Os alunos podem acompanhar seja durante da aula, seja no período extra-classe. A interação com os alunos ficam limitada ao setor “comentários”.
•MURAL-COMUNIDADE: Professor e alunos são co-editores do blog da disciplina. O blog serve como extensão da sala de aula, em que os alunos comentam sobre a aula, tiram dúvidas, colocam notícias... Serve como “diário da disciplina”.
•BLOG – AVALIAÇÃO 01: Os alunos se cadastravam no blog da disciplina. Regulamente o professor passa como atividade para algum tipo de questão que será escrita via Blog. Exemplo da Disciplina “Comunicação e Informática” na FACOM-UFBA em 2001, com prof. Dr. André Lemos.
•BLOG – AVALIAÇÃO 02: Learning Log Digital (para turmas pequenas). No início da unidade, o professor pedem que os alunos criem um blog em que eles farão uma resenha das aulas. O professor daria os prazos e acompanharia os blogs.
•BLOG – AVALIAÇÃO 03: Blog-Seminário. Os alunos criariam em equipe um blog (segundo as especificações do professor) com o tema da pesquisa. Mas tarde apresentariam os resultados para a turma num seminário. Exemplo de alguns blogs organizados pelos alunos do COESVA (Colégio Estadual de Valença).
Alguns motivos para o uso do Blog na sala de aula
•A “web” é uma ótima ferramenta para compartilhar conhecimento.
•Escrever sobre algo, implica em reflexão e crítica, o que é fundamental no processo de ensino-aprendizagem.
•Desenvolver a habilidade de gerenciar informação.
•Desenvolver a habilidade de transformar informação em conhecimento.
•Evitar o retrabalho docente. Uma vez publicado você só precisa aperfeiçoar!!!
•Desenvolver o espírito de colaboração(aprender a conviver) ]

Frequently Asked Questions
•BLOG É COMPLICADOS E OS ALUNOS NÃO ESTÃO PREPARADOS. Se o professor não estiver seguro, pergunte antes para a turma se eles conhecem o que é um blog. Não espante, contudo, se os alunos disserem que sim e citarem que mantém blogs pessoais!! Depois, a tecnologia do blog é simples: é só um meio mais rápido de editar uma pagina na WEB e prescinde dos conhecimentos básicos de HTML
•COMO OS ALUNOS PODERAM ACESSAR O BLOG? O blog, no fundo, é uma página da internet. Sendo assim, eles podem acessar através de um navegador / Broswer
•ONDE OS ALUNOS DA REDE PÚBLICA PODEM EDITAR O BLOG? Se não puderem acessar em casa ou na escola, eles podem usar os serviços de uma LAN-House. Também podem usar o telefone celular para mandar os posts. Vamos ser francos, é mais fácil os professores da rede pública de ensino desconhecerem as potencialidades da internet dos que esta geração mais nova, que hoje estão nos bancos da sala de aula. Eles não podem ter o acesso a tecnologia de ponta, mas alguma eles já conhecem e põem em prática.

setembro 10, 2008

English Absinthe

May, 31th. 2005 (02h12 PM)
[Salvador, 25 de fevereiro de 2002]




Your scent, green emerald rich
Is the invitation to orgy.
Your fascinant lips oof hot breath
Are the fire of the gods,
Are the fatal game of the lust and pleasure,
Are the silence where
The devilish fetish of souls
That burn minds and eyes:
Ilusions weaving a sweet and tragic poetry,
Magic poetry of the green star absinthe…

Outro poeta da sala

http://antomarques.blogspot.com/
Recomendado pelos administrados do blog!!!!

Sobre contos - uma resposta ao Exmo Cristiano Lombardi

(aproveitando para exercitar meu lado "Mr. Hyde" no blog... depois retornarei como "Dr. Jekyll")

Caro Sir Cristiano Lombardi

No post "What is short-story?" (http://unebian.blogspot.com/2008/09/what-is-short-story-there-are-many-ways.html), o Exmo Sr. Cristiano Lombardi presentou sua visão, um ensaio sobre uma teoria do Conto. Concordo que o trabalho é bem escrito e fundamentado. Embora eu reconheça que ele colocou a questão é ótimos termos, não posso deixar de expressar minhas discordâncias em alguns pontos.

O Exmo. crítico literário está certo quando coloca que é difícil definir o gênero "conto" somente em aspectos númericos. Como diz o prof. John Keating, literatura não é algo que se meça em números ou que uma pessoa possa dizer "Gostei de Byron mas ele não serve para dançar". Todavia, apesar de reconhecer que conto ou "short-story" seja definada pelo número de palavras, sua análise acabou caindo mais pelos aspectos "quantitativos" do conto do que pelo aspectos "qualitativos". Observemos alguns pontos.

Após analisar (e refutar) nos dois primeiros parágrafos "possíveis definições" de contos baseados em números de palavras, no terceiro parágrafo Dr. Cristiano analisa o conto a partir do ponto de vista da brevidade. Assim, considerando o fato de um conto apresenta poucos personagens e que o enredo é menor (geralmente mudanças do status quo), ele aborda estas questões como pontos que delimitam o tema e conclui, de forma magistral (devo admitir) em que conto seria aquilo que o estilo do escritor e a aprovoção do leitor achar que deva ser um conto.

Pois bem, os pontos levantados pelo Dr. Cristiano apenas tangenciam algumas características externas do conto. Porém, se perscrutarmos mais o assunto, podemos observar o conto possui três características essenciais: Exatidão, Leveza e Rapidez. E estas irão determinar a brevidade do gênero.

A exatidão do conto está na sua linguagem. Mesmo sem perder a docelidade da poesia, ele precisa ser mais exata, conduzir o leitor direto ao ponto. No romance ou na peça de teatro pode-se haver pequenas disgressões ou ser construídos como desvios de percursos (como no caso da "Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera, cujo começo é disgressão filósofica sobre Nietzsche que norteiará toda a trama psoterior da obra). No conto, não. Ou dizendo de outra forma, um romance permiti-se a análise. No conto existe a síntese. E a síntese só reside com palavras exatas, que já aponte mais ou menos o caminho. Fora disso, existeria então outros gênero: prosa poética, crônica, ensaio (no sentido original da palavra).

A rapidez no conto está na sua leitura. Um conto deve ser lido numa sentada (disse Edgar Allan Poe, citado pelo Dr. Cristiano Lombardi), dentro de um único resfôlego. Por isso que raramente encontramos capítulos num conto. Se um romance pode ser lido aos poucos, com pausas; no conto o leitor deve ser agarrado pelo colarinho e ser abandonado apenas no final da leitura. Um bom conto deve ser estruturado para que o leitor não pare no meio para reflitir. O conto deve levar a uma reflexão de conjunto, não de partes. Quando isso acontece (exceto nas leituras profissionais dos críticos), o conto perde sua característica para assumir a de outros gêneros literários: novela, mini-romance, prosa poética, monólogo teatral.

Finalmente, há a leveza: um conto é uma narrativa leve e ágil, como uma polaroid ou uma explosão fulgurante. Denso ou não, o enredo do conto deve sr construído dentro da leveza, com agildade de encadeamento. Sendo assim, com o enredo ágil e leve, construído com palavras exatas, chage-se a rapidez de leitura do conto. Talvez amelhor metáfora do conto seja a pérola, comparada ao diamante. Um romance pode ser um diamante tão grande como o hotel Ritz, por suas características. Já o conto deve ter a leveza e a circularidade de uma pérola. Se um diamante pode ser multifacetado, o conto é redondo e leve o suficiente para ser carregado no pescoço ou no dedo do leitor.

Estas três características, na minha opinião, é que estão na base do gênero conto: Leveza, Exatidão e Rapidez. E consequentemente irá resultar em brevidade e outros aspectos levantados por Cristiano.

Em suma, minha discordância quanto a posição de Cristiano, no seu ensaio "What is a short-story?", está no ponto de partida para análise. O nobre colega Dr. Cristiano partiu da brevidade para definir o gênero. Só que começou exatamente na sua conseqüência, sem perceber que o gênero possui outros pontos mais profundos. Por isso que sua conclusão acabou jogando nas mãos do escritores e dos leitores a definição do gênero, quando estas já estavam dadas a priori pelas características supracitadas.

Mas essas são apenas conclusões provisórias tiradas por mim. Espero a defesa do Dr. Cristiano sobre minhas objeções, que, creio eu, será relevante e agradáveis para o nosso debate.

Vosso amigo e olega de estados literários

Herr Doktor Xosé Ricardo, Ph.D.

o valor da reprodução da arte

BENJAMIN, Walter. In: - Magia e Técnica Arte e Política; Ensaios sobre Literatura e História da Cultura. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. (obras escolhidas, v. 1).
Mensagem principal: As teses sobre as tendências evolutivas da arte, nas atuais condições de produção.

Ao longo dos anos as técnicas de reprodução como a xilografia e litografia foram ultrapassadas pela fotografia. A reprodução técnica da arte atingiu certo padrão de qualidade quando a reprodução técnica do som iniciou-se no fim do século passado. Quanto à sua autenticidade, nela está a tradição que identifica o objeto da obra de arte e a reprodução técnica tem mais autonomia que a reprodução manual. Além disso, a reprodução técnica também tem o poder de aproximar do individuo a obra através da cópia do original e a depender da sua materialidade perde-se o seu peso tradicional principalmente quando ela se esquiva do homem através da reprodução. O agente mais poderoso desse processo é o cinema, pois coloca em liquidação o valor tradicional do patrimônio da cultura visto que todos os mitos da religião ou da história podem ser reproduzidos. Se aura é a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja, graças à reprodução, ela tem sido destruída por meio da percepção do homem em relação à arte.

Análise do poema Canção de Cecília Meireles por Kátia Souza






CANÇÃO
Cecília Meireles


A tristeza e a melancolia são o tema deste instante poético. Permeando a dor e as conseqüências das decisões tomadas ao longo da vida, o poeta aponta os efeitos causados por estas à alma. Não é sem dor “a noite se curva de frio” ou sem conseqüências “meus olhos secos como pedras / e as minhas duas mãos quebradas” que o eu poético decide abrir mão de seus sonhos “depois, abri o mar com as mãos, / para o meu sonho naufragar”.



Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

O poeta utiliza-se da alegoria de um navio naufragando para falar da morte de seus sentimentos ou desejos, da destruição de seus sonhos “debaixo da água vai morrendo/ meu sonho, dentro de um navio”. Os sonhos naufragados são sonhos não realizados, indicando que, por certo tempo, o eu lírico dedicou-se a eles; até preparou-lhes um lugar especial. Mas, ao mesmo tempo, parece antever-lhes o insucesso, como se previsse o naufrágio. E assim prevendo, antecipando, decide ele mesmo destruí-los, naufragá-los.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


A beleza natural causa-lhe perplexidade e contrasta vivamente com o fizera. Parece um assassino que acabara de matar sua vítima indefesa e agora contemplava o sangue a escorrer entre seus dedos. O que fizera?


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

O vento pode ser interpretado como um pressentimento, das conseqüências, da dor que está por vir. O vento tanto pode levar embora quanto trazer; este parece trazer. O que ele traz? O frio da solidão? A dor futura companheira? Seja como for, o poeta pressente sua presença e, antecipadamente, sofre.


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


O poeta parece ter pressa, por isso, está disposto a fazer o que for preciso para livrar-se do sentimento, desse sonho, que antes guardara com tanto desvelo. O que interessa, agora, é afundá-lo completamente, de forma a sequer haver qualquer sinal de sua presença. A idéia de lágrimas enchendo o mar para afundar um navio, pode significar a ação voluntária de subverter o sonho de uma vez por todas e o mais rapidamente possível.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


O mundo parece continuar, como se nada houvesse acontecido; ninguém parece notar o aniquilamento interior do poeta; ele, tampouco, o quer demonstrar; esconde, finge, interpreta. Aparentemente, tudo está bem e não há mais lágrimas para chorar. Ou, quem sabe, a tristeza tamanha que agora carregue, seque-lhe os olhos. Suas mãos, autoras da ação destruidora, estão agora, elas próprias, destruídas, incapazes de novamente realizar semelhante ação. Marcas visíveis de seu sofrimento, de sua auto-mutilação.

O tema melancólico do poema sugere a tristeza causada pela perda dos sonhos, mas não para aí. Sugere, também, a determinação em superar essa tristeza. Tristeza essa causada por suas próprias mãos, mostrando ser possível, ainda que não sem dor, extirpar desejos, sonhos ou sentimentos destrutivos antes que sejamos por eles destruídos.


Null Knowledge

NULL KNOWLEDGE

By Uncle Tonie

All I know is that I know nothing.
But if nothing is all that I know.
Then at least I know nothing.
Nothing itself is not nothing.
Nothing is a void omni-absent entity full of emptiness.
Nothing is nothing more than nothingself.
I do recognize that my knowledge is nonsensically nothing.
To conclude: this nihilistic cognitive realization ended up in nothing.


P.S.: I had to stop writing this looping poem because I was starting to feel dizzy. The reason why was obvious: from the middle of the poem on, I sort of got lost since I was going full circle, and at that point I didn’t know whether all was nothing or vice versa. In other words: nothing made sense.

setembro 04, 2008

What Is A Short Story?


There are many ways in which people convey experiences and knowledge. But perhaps no one can be compared to the striking style of a short story. This way of writing is not really easy to categorize, due to its particular characteristics.
Even so, one may find some definitions that try to define what a short story is. World-famous American writer Edgar Allan Poe once said: “A short story should be enough to read in one sitting.” For the Science Fiction and Fantasy writes of America, a short story is “a prose fiction up to 7,499 words.” Others say that a story of this kind is usually no more than 15,000 words. Looking it up on Cambridge Advanced Dictionary (Second Edition), it says: short story noun: “an invented story which is no more than about 10 000 words in length.” Since the above explanations do not convey the self-same information, the important question still remains: what is, in fact, a short story?
Despite of the attempts to find the formula for writing short stories, there is no one pre-defined way to do it. Nevertheless, the majority of these stories share certain features.
Most of the time a short story is briefer than a novel. It goes straight to the point, starting as close as possible to whatever happens that changes the status quo, that is, it goes directly to the point where things change. The number of characters is also important. It is restricted for the purpose of not having a work of art longer than a short story actually is. The focus is, in many cases, on the life of a single character or maybe a couple of characters.
Some of the most prestigious writers of modern literature produced short stories as well: Henry James, D. H. Lawrence, O. Henry, Machado de Assis, F. Scott Fitzgerald, and Ernest Hemingway are names worth mentioning.
It is noticeable how people worry about definitions elaborated to set limits on length, form and style contained in short stories. Although, the writer’s inspiration and the reader’s approval are what really matter – these are points of the utmost importance.

agosto 28, 2008

Resumo do Texto “THE TASK OF POETRY READING AND 2ND LANGUAGE LEARNING”

O estudo de David Ian Hanauer, da Universidade de Tel-Aviv (Israel) analisa o uso da leitura de poemas no processo de aprendizagem de um segundo idioma dentre alunos do nível avançado. Baseando-se na metodologia de Skehan e ampliando a conceito de Literatura (envolvendo também as letras de canções populares), Hanauer começa analisando os marcos teóricos, que é interessante usar (melhor dizendo, retomar o suo) a literatura no aprendizado de uma segunda língua, não só pelo aspecto da motivação ou de revelar os aspectos culturais da língua-alvo, contido, princpialmente, pela posição psicolingüística que a de que textos literários possuem características especiais (como usos criativos de palavras e a leitura atenta de formas lingüísticas) que podem ser benéficas para o aprendizado do segundo idiomas. Depois descreve os meios pelo qual o texto Suzanne Takes You Down, de Leonard Cohen, foi lido e compreendido nas aulas de ensino de língua estrangeira e a interação entre este entendimento e aprendizado de um segundo idioma. Para tanto, fez um estudo qualitativo de análise dos protocolos em dez estágios desta tarefa de leitura do poema. Participaram 20 jovens alunas de nível superior, entre a idade de 20 e 24 anos e nenhuma tinha formação prévia em literaturas hebraica ou anglo-americana. O resultado obtido foi que esta tarefa, de leitura mais atenta do texto, exigiu altos níveis de concentração atenciosa, análise e produção do significado textual. Assim, logrou a estes alunos a possibilidade de expansão dos seus conhecimentos sobre uso potenciais e significados de uma estrutura lingüística existente. Em complemento, a tarefa pode mostrou também aos alunos a distância entre o discurso e o conteúdo do poema com o conhecimento prévio que eles tinham com a cultura-alvo. Deste modo, a leitura do pode aumentar sua consciência cultural. Este artigo conclui que é importante retomar o uso da poesia no ensino de Inglês (em turmas avançadas) como tarefa para aumentar o conhecimento lingüístico e cultural da língua-alvo.

Summary of “The Scarlet Letter”

The film “The Scarlet Letter” is an adaptation of the classic Hawthorne’s novel. It is the dramatic story about sin, love and dignity. Hester Prynne is married with Dr. Roger Prynne. She went to the colonial Boston of 17th Century (before your husband, that needs to continue in England), to restart his family’s life in colony of New World, without religious prejudice. When she lived alone, she hell in love with Arthr Dimmesdale, the young and idealist minister of the colony (who believes in the harmonic companionship of Indians and Europeans). At first, they choked the love. But, when Mrs. Prynne heard from a supposed notice about the death of your husband (that is captured by the another Indian’s tribe),they applied theirself to the love, although she was “officially” in deep mournig’s period and don’t got married yet. Well, she got pregnant and was convicted of adultery. After she stayed some months in the prison, she was condemned to wear a bright red “A” over her breast and to lived segregate of another settler because she don’t talk who is the father of your bastard child. She was forced to bear in a social ostracism, with a children jeered as she passed, other women avoided her, and clergymen pointed to her as a living example of the consequences of sin; but she surprised the townfolk with her air of aloof and silent dignity. In the middle times, Dr. Roger Prynne (now called Roger Chillingsworth) appear in the colony and decide to avenge of the adultery: He incrimed his wife as witch and kicked up a row between Indians and Europeans. Finally the Boston's Puritan and Civil leaders decided to sentence Mrs. Hester Prynne to the gallows, Dr. Roger suicide and the minister Dimmesdale admitted to his partnership in her sin the all people of Boston and surrendered to the Justice. In this instant, the Indian attacks the colony and kill many settler. Hester, Dimmesdale and his daughter Pearl scape the massacre. And they lived happy forever…

Less than a Pearl A Brief Essay about Short-Stories

Salvador, 15 de agosto de 2006

“Less than a pearl in a sea of stars” – Roma Ryan and Enya

By the common sense, Short-Story is a brief narrative in prose which is less than a pearl. A novel may be a diamond as big as the Ritz – never a short-story; it will have all the characteristics of a novel, however in a small scale: the time will be briefer and plot will have few events. But, how long must the short-story be? Or, is the size the only characteristic that determinates a short-story? What must other characteristics have a short-story?

About how long (or short) could be a short-story, we have different statements. Looking up the definition of Cambridge Advanced Dictionary (2nd Ed.), the short-story will have about 10,000 words in length. A group of authors prefers to determine the size of a short-story in 7,500 words; other group, in 15,000. In another word, a short-story would have 05 pages so far and the story has only chapters. But we have long short-story that have 10, 15, up to 30 pages!!! For example these long short-stories we have “Financing Finnegan” by Scott Fitzgerald that has about 10 pages, “Boule de Suif” by Guy de Maupassant that has about 33 pages and “O Alienista” by Machado de Assis that has about 38 pages. In another case, there is short-story that has less than half a page, as some texts of Inácio de Loyolla Brandão and Evandro Affonso Ferreira (Grogotó’s author). The number of pages does not determinate how short a short-story is. As Edgar Allan Poe said, this size of short-story will be the one you can read in one sit.

If the size is not an exact answer about short-story, we need to see other characteristics. In general, a short-story is a narrative as the play, the soap-opera, the myth, the novel, the fable, the news story and some chronicles. The short-story has an action or event that happens with a group of characters, in a defined place during a fragment of time. The specific point is HOW I do this narrative if I want to write a short-story. Some authors (like Cortázar) understand that the short-story must be a Polaroid, a frame of the reality portrayed in a small narration. Others writers (like Poe) think that short-story’s specificity is in your effect. Or better, in an economy of literary ways which an author use the minimum of writing’s resources to goal a maximum of effect. All these approaches give some clues and clarify the question. A short-story is cutting of the reality that the author needs to be economic with his/her pen. It can be completed indicating three more: Exactitude, Lightness and Quickness. These characteristics are used with the same meaning used by Ítalo Calvino in “Six Memos for the Next Millennium”: First, short-story must be light as agile and unforeseen jump. Its plot needs to be agile if it wants be a Polaroid. The short-story may be condensed or soft in its plot, but, always agile. Second, a short-story must be quick in your reading, like a sudden fulguration. So, the reader may read the story in one reading. Last, the short-story’s language must be the most precise and may translate all the faces of thought and imagination. So, with this language, a short-story can have the economy of literary ways.

So, a short-story may be defined as a brief, light, quick and precise narrative in prose that has one and single effect. A story is less and perfect than a peal in the sea of Literature.

Reference
GOTLIB, Nádia Batella. Teoria do Conto. 10ª ed. São Paulo: Ática, 2004 (Série Princípios). CALVINO, Ítalo. Seis propostas pra o novo milênio. Apud. GOMES, Goulart. Poetrix: uma proposta pra o novo milênio. Iararana, Salvador: Aleiton Fonseca e Carlos Ribeiro, Ano VI, nº. 09, p. 72, ago. 2006.
(agradecimentos a profa Sílvia Sousa ao me ajudar na correção do texto em inglês)

julho 03, 2008

Sob o Signo de Toth

“Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar” Castro Alves

O Papel do Texto. A presente comunicação surgiu como fruto do relatório apresentado na disciplina Estágio I, realizado sob a supervisão de Profa. Dra. Janaína Weissheimer, no final de 2006. A escolha inicialmente era para saber se eram usados textos escritos paradidáticos no ensino de língua inglesa. Contudo, achou-se de bom alvitre estender a pesquisa, observando antes se textos escritos (ênfase) ERAM USADOS na sala de aula para depois averiguar a tipologia dos textos usados. Contudo, por que pesquisar se os textos são usados?

Teoricamente, como o uso de um idioma envolve o uso das habilidades audiovisuais, aprender um idioma implicaria em aprender também a ouvir, a falar, a ler e a escrever. E da mesma forma que uma pessoa só aprende a falar bem se ela aprendeu a ouvir bem; ela também só escreverá bem se ela ler bem e muito. Como resultado desta tautologia, qualquer aulas de um idioma deveria fazer uso regular de livros didáticos e paradidáticos. Isso é, deveria ser a realidade na práxis do ensino de qualquer língua.

Para reforçar o uso dos textos no ensino de língua, há também a importância social que a escrita possui.. A escrita representou a primeira grande revolução tecnológica, a ponto de servir como marco zero da História e, durante muito tempo, o único suporte onde a fala pudesse viajar através do continuum espaço-tempo. Da mesma forma, a alfabetização ajudar a marcar as diferenças sociais. Exemplo está na exploração colonial na África e nas Américas, ideologicamente justificada porque estas populações autóctones, por serem ágrafas, não teriam “cultura” e assim, precisavam “tutelados” dos “civilizados” europeus… Se, como disse o filósofo inglês, Sir Francis Bacon, “Saber é poder”; saber ler e escrever torna-se contitio sine qua non par’ascensão social.

Contudo, se, por um lado há todos estes argumentos, o ensino da leitura e da escrita (ou seja, o uso de textos) é imperioso, especialmente no ensino de língua estrangeira, que aumentaria ampliar as fronteiras cognitivas do aluno; por outro lado não se pode negar que a recente revolução tecnológica que atingiu a comunicação, com o aparecimento da radiodifusão e da telemática, baseados numa audiovisualidade dinâmica e interativa, de certa forma quebra a hegemonia que a escrita tinha na sociedade. E seguindo estas tendências sociais, percebe-se que o ensino de línguas (principalmente a estrangeira) volta-se a agora para outras abordagens e metodologias menos livrescas e mais “comunicativas”, focadas (com certo exagero, diga-se de passagem) na oralidade.

Sendo assim, pegando o signo de Toth (o deus egípcio da escrita e do saber), a pesquisa, ao voltar sua análise para o uso dos textos num mundo multimídia, não só procurava, inicialmente, compreender o lócus desta ferramenta dentro da nova realidade como tentar apontar novas direções para seu uso dentro da sala de aula – mormente no ensino de língua inglesa. Para tanto, foi observado 10horas/aulas nas 07ª e 08ª série da rede estadual de ensino e 06 horas/aulas num curso particular de idiomas.

Big Crush da Galáxia de Gutenberg. Antes de entrar na discussão pedagógica propriamente dita do ensino de língua inglesa, é preciso entender que admirável mundo novo é esse que se apresenta na contemporaneidade.

Os modernos teóricos da comunicação, como Marshal McLuhan, Albino Rubim, Sérgio Bairon, André Lemos et caterva costumam chamar de Idade Mídia, ou seja, a era em que sociabilidade humana é perpassada principalmente pelas redes telemáticas e a comunicação de massa. É uma era caracterizada pelas multimídia, instantaneidade, televivência, interatividade, interfaces e audiovisualidade. Como diz Albino Rubim, no ensaio “Comunicação, Política e Sociabilidade Contemporâneas: subsídios para uma alternativa teórica”: A contemporaneidade apresenta como uma de suas marcas mais características a (oni) presença tentacular de comunicação midiática (…). Como um deus e sob as mais diversas formas, ela aparece na quase totalidade de lugares e tempos sociais. (…) Seu aparente imediatismo, sua instantaneidade e simultaneidade reinventam vivências, alteram percepções, sensibilidades e processos cognitivos. Isso pode observado, por exemplo, na convergência tecnologia que faz do telefone celular, hoje, também num aparelho de rádio e TV, tocador de MP3, câmara fotográfica, estação de acesso à internet etc. Ou nesta apresentação, com um computador apresentado simultaneamente imagens, texto e música. Mais multimídia, impossível!

Diante desta nova ordem mundial que Sérgio Mattos, no seu ensaio “Meios de Comunicação a serviço da Educação (pedagogia dos meios)” fala da importância de se incorpora as outras mídias além do livro na sala de aula, inclusive não só para integrar o aluno a este novo mundo como para facilitar a própria aprendizagem. Como ele mesmo diz: A utilização do rádio e da televisão em sala de aula tanto auxilia o professor no desempenho de sua função de ENSINAR, como ajuda o aluno no seu papel de APRENDER. Aliás, não é a toa que hoje surge o campo da Educomunicação, interface da Pedagogia e a Comunicação de Massa.

Dialética do Papiro e da Oralidade. Sendo, pode-se imaginar então a morte do texto como elemento didático? A Galáxia de Gutenberg, construída a partir da linearidade estática da escrita, entrou na fase de contração e caminharia para seu fim? A resposta é não. Pelo menos pr’alguns teóricos, como Christina Smart, Mark Augustine, Gail Ellis e Cheron Verster. Eles apresentam uma nova síntese, reabilitando o uso dos textos no ensino de uma língua.

Christina Smart escreveu dois ensaios, chamados “Uso de poemas para desenvolver habilidades receptivas” e “Uso de poemas para desenvolver habilidades produtivas”. Neles, ela defende o uso de poemas tanto para o desenvolvimento da leitura e da escrita, como da fala e da audição. Aliás, ela disse que “Poemas são, afinal, textos autênticos. Por isso são motivadores. São ricos em referencias culturais e criam muitas possibilidades de aprendizado”. Gail Ellis compartilhar mesma opinião, no ensaio “Estimulando os alunos a lerem”. Quando diz que “Motivação é um das chaves para o sucesso do aprendizado de um outro idioma” e que o uso de literatura autêntica como complemento ao material-base é uma das vias para motivar o adolescente.

Seguindo esta linha, Mark Augustine fala das vantagens do uso de poemas no ensino de língua estrangeira (no caso, através do haikai) e Cheron Verster propõem uma maior interação com textos, a partir de Atividades Dirigidas relacionadas com os mesmos.
Analisando as aulas. Essa é a teoria. Mas o que foi visto na prática o uso de textos, comparando as aulas regulares na rede pública de ensino e num curso particular de idiomas. As observações foram feitas entre o final de novembro e o início de dezembro de 2006. Em ambas as situações, os professores possuem o curso superior de Letras.

No curso de idiomas, as turmas eram menores, as salas de aulas em boas condições, com os alunos disposto em semicírculo, o ambiente estava bem equipado (computador conectado na internet nos corredores, salas com TV e DVD, etc.). Também usava um método mais “moderno” (o áudio-lingual). Ora, mais no que foi observado, foi feito pouco uso do livro didático (menos de 15 minutos num total de 06 horas de observação). O resultado disso (que não pode deixar de ser notado) foram que as turmas estavam um pouco apáticas em relação à aula. Sem querer entrar no mérito da metodologia (o qual não estava no foco da pesquisa), considerando também que a observação não estudava motivação dos alunos (e assim não forma vistas outra variáveis) e apesar do talento e do esforço do professor em evitar a apatia do curso, a impressão passada foi que a repetição mecânica de frases prontas e a inexistência de um texto didático que ancorasse para aula deixavam os estudantes a deriva no mar multimidiático de informações. Também parece indicar a importância dos textos paradidáticos, com textos autênticos, na consolidação do ensino de uma língua estrangeira.

Já na escola pública, as turmas são maiores, salas de aulas em condição regular (como no caso de laboratório desativado que foi transformado sem ala de aula a toque de caixa), havia disposição irregular dos alunos, presença de poucos recursos didáticos, metodologia mais clássica (Gramática e Tradução). Os recursos didáticos praticamente se limitavam ao aparelho portátil de som, giz e quadro-negro. Praticamente todos os alunos não possuíam o livro didático indicado pela escola. Contudo, apesar das adversidades, estes alunos não só usaram mais textos (paradidáticos) e como mostraram mais criatividade.

A empolgação e conseqüente sucesso dos alunos da rede pública em atingir os objectivos propostos corroboraram a afirmação de Christina Smart de que o poema é um grande motivador, por serem, antes de qualquer coisa, textos autênticos. Também foi a oportunidade de que os alunos, ao utilizar a letra de música (que, sob certo aspecto, tem parentesco com o poema), pudessem exercitar tantos as habilidades receptivas e produtivas, retomando as idéias de Chiritna Smart nos ensaios “Using poems to develop productive skills” e “Using poems to develop receptive skills”. Ou seja, puderam ler o poema, recitá-lo, coreografá-lo e dramatizá-lo, interagir com o texto, estudar e exercitar a gramática.

Igualmente despertou nos alunos a criatividade de apresentar os trabalhos. Uma equipe dramatizou a música “More than Words” em mímica e depois explicou o conteúdo na letra, parafraseando texto. Outra equipe fez um jogral para apresentar a tradução da música “One last cry”. . Uma terceira equipe cantou um trecho da música “Three little birds” de Bob Marley. Além da gramática, foi trabalhada a questão de tradução, sendo apresentado não só exercício de passar o idioma estrangeiro para o idioma nativo como também o inverso, fazer uma “back-translation” e comparar a tradução feita pelos alunos com o texto original.

Uma coisa que precisa ser observado é que, como a escolha das músicas ficou a cargo dos estudantes, isso comprovou a sugestão de Gail Ellis, quando sugere na primeira parte do artigo “Motivanting pupils to read”, quando ele diz que se deve envolver o educando na seleção dos textos, se possível. Isso deu a eles um “sense of ownership and resposanbility”, dando mais empenho para a realização do trabalho. Isso possibilitou que os textos ficassem mais próximos à realidade cultural do estudante, fazendo que a aprendizagem tornasse mais significativa.

Conclusões e inquietações. Apesar de ser reconhecida a importância do texto escrito e do exercício das habilidades da escrita e leitura durante o aprendizado, isso não quer dizer o texto escrito esteja presente sempre no ambiente educacional, tão pouco ocorre o exercício satisfatório das habilidades supracitadas. Como surpresa agradável, no que pese os problemas, foi no sistema público de ensino que se usou mais e de forma criativa os textos. Como observação marginal, também foi na escola pública que se notou mais sensibilidade à arte. Não só a convergência do teatro e da dança, como a percepção da inter-relação da mesma com a literatura. Foi no meio de umas aulas que o estagiário em questão ouviu um comentário marginal na conversa entre alunas, na qual uma lembrou a outra que poema também é texto e que se poderia ser utilizado um na execução do trabalho final.

Isso demonstra que o engano de outro senso comum de que a literatura e o ensino prático de um idioma devem ser tratados como compartimentos estanques ou que os resultados podem ser muito aquém do esperado. Mark Augustine, no seu texto, demonstrou o sucesso de se utilizar poemas (no caso, o “Haikai-hokku”, forma típica e epigramática da poesia tradicional japonesa) no ensino de Inglês. Christina Smart apontou quanto os poemas podem ser úteis nos desenvolvimento das quatro habilidades lingüísticas – e isso foi corroborado pela observação. A arte é algo inerente à condição humana e, por mais que os espíritos pragmáticos possam negar, ela é importante no processo de formação do homem – como pode ser observado na aquisição do idioma.

Mas porque ainda se tem resistência em usar a literatura no ensino de uma língua estrangeira? Porque ela se apresenta ainda como uma Medusa que petrifica, apavora e imobiliza alguns professores? Algumas pistas poderiam ser levantadas: O nível e a variedade de leitura dos profissionais de ensino da língua, a formação literária do mesmo (o quanto ela é diminuída ou relegada em segundo plano em detrimento a uma maior formação lingüística e baseadas em métodos “científicos e certeiros” de ensino), a pouca abertura dos educadores em experimentar outros caminhos para manter a segurança de alguns métodos. Essas questões podem ser o ponto de partida para uma pesquisa futura na área de Literatura e Ensino de Idiomas.

Outro dado que se observa é a adaptação da Educação com a nova realidade gerada pelo avanço das tecnologias midiáticas. Não se podem negar que as mídias fundadas na audiovisualidade implicaram numa outra visão de mundo, similar ao impacto que a invenção da imprensa por Gutenberg gerou na sociedade feudal, baseada na oralidade. O mundo ver o nascimento de uma outra forma de sociabilidade, uma outra percepção de mundo, um novo paradigma, uma nova racionalidade, que alguns pensadores chamam de rizomática e multipolar. Cedo ou tarde a educação absorverá estas mudanças. Mas como será esse processo? Essa é outra linha de pesquisa, que poderia ser analisada no futuro.

Finalmente, este relatório deixou a semente de esperança de que literatura não é só apenas o deleite estético de alguns poucos iniciados. Ela tem um lugar importante no ensino de qualquer idioma e que a contemporaneidade ainda não está sabendo explorar. Os poetas concretistas (liderados por Décio Pignatari e os Irmãos Campos), nos anos 60, vislumbraram que a poesia deixaria de ser linear para que ela pudesse se adaptar ao nascente mundo cibernético da telas de TV. Eles puderam ver a revolução da informática e reinventaram seus poemas para caberem no “Power-point” e no HTML dinâmico. Por que não o aprendizado de um idioma não pode reivindicar esta nova literatura como seu instrumento de trabalho e assim se reinventar, tornando ainda mais agradável? Fica assim esta derradeira provocação.

Para finalizar, há essa citação de Castro Alves, que foram usados como epígrafe. Fica o convite para se semear livros na alma de um aluno. Livros que, como já dizia Monteiro Lobato, fazem partem na construção de um país.
Salvador, 24 de julho de 2008 (00h05/12h25)

BIBLIOGRAFIA
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RUBIM, Antonio Albino Canelas. Comunicação, política e sociabilidade contemporâneas: subsídios para uma alternativa teórica. In: RUBIM, Antonio Albino Canelas (Org.). Idade Mídia: Salvador: Edufba. 1995.
MATTOS, Sérgio. Meios de Comunicação a Serviço da Educação (Pedagogia dos Meios). In: RUBIM, Antonio Albino Canelas (Org.). Idade Mídia: Salvador: Edufba. 1995.
VERSTER, Cheron. Interacting with texts – Directed activities related to texts (DART’s). Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/read/darts.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 20h17
ELLIS, Gail. Motivantig pupils to read (1). Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/motivate_read1.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h09
SMART, Christina. Using poems to develop receptive skills. Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/poems_recep.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h00
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AUGUSTINE, Mark. Complete poetry resuscitation. Disponível na página http://www.teachingenglish.org.uk/think/literature/haiku.shtml, acessada no dia 06 de janeiro de 2007, às 21h21
VIDAL, Ricardo. Tempos de Mudança. Texto disponível na pagina http://bardocelta.blogspot.com/2006/08/tempos-de-reforma.html. Acessado em 26 de agosto de 2006 às 19h45.

Leituras Sugeridas

  • Antoine Compangon - O Demônio da Teoria / Literatura e senso comum
  • Silviano Santiago - Nas Malhas da Letra
  • Tania Franco Carvalhal - Literatura Comparada (série Princípios)
  • Angélica Soares - Gêneros Literários (série Princípios)
  • Ligia Chiappini Moraes Leite - O Foco Narrativo (série Princípios)
  • Nádia Battella Gotlib - Teoria do Conto (série Princípios)
  • Edwin Gentzler - Contemporary Translation Theories
  • Ferdinand de Saussure - Curso de Lingüística Geral
  • Renata Pallottini - Introdução à Dramaturgia (série Princípios)
  • Merchè Pujol Berché, Luci Nussbaum e Miquel Llobera - Adquisición de Lenguas Extranjeras: Perspectivas Actuales en Europa
  • Michael McCarthy - Discourse Analysis for Language Teachers